domingo, 6 de maio de 2012
Seu Machado e Alyrio de Souza, os vovôs do clássico mais antigo do país
Em matéria de "Clássico Vovô", a mais velha rivalidade do Brasil, com 106 anos de história, ninguém tem tanta autoridade quanto os dois funcionários mais antigos de Botafogo e Fluminense. Apesar de não terem mais idade para entrar em campo, o botafoguense José Machado, de 77 anos, e o tricolor Alyrio de Souza, de 73, têm papel vital dentro dos clubes. Mantêm viva a história de dois times pioneiros do futebol carioca.
As paredes do Fluminense conhecem mais do que ninguém a história de Seu Alyrio. Nos 52 anos dedicados ao clube, ele casou, criou o afilhado Marcos e envelheceu. Uma vida marcada pelo verde, branco e grená.
— O Fluminense representa tudo para mim. Foi meu primeiro emprego. Eu servi o quartel e vim para cá. E nunca fui dispensado.
Alyrio é o funcionário há mais tempo em atividade nas Laranjeiras. Chega a ser simbólico que trabalhe no arquivo do clube. Foi organizando o histórico de informações dos sócios que ele acompanhou o brilho da Máquina Tricolor, o gol de barriga de Renato Gaúcho e o baile de Conca no tricampeonato brasileiro de 2010. De todos os que viu jogar, seu favorito é Rivelino, mas só lembra de ter conhecido Valdez, zagueiro campeão estadual em 1964.
— Ele morava em Bangu, que nem eu.
Troca de paixões
Do lado alvinegro da balança, Seu Machado exibe no crachá a autoridade de quem, desde 1956, dedica a vida ao Botafogo. Chamado por acaso para ajudar em uma enchente, o agora administrador do CT de General Severiano, se afastou do sonho de ser bombeiro militar por amor ao clube.
— Eu era só um quebra-galho, mas fui ficando. O futebol é uma cachaça do cacete. Se pudesse voltar atrás, faria tudo da mesma maneira — derreteu-se o administrador, que é alvinegro desde criancinha.
Tanto amor pela Estrela Solitária fez com que a vida de Seu Machado se desenrolasse nos corredores do clube. No Botafogo, conheceu a esposa Nely, ex-atleta do salto com vara, com quem é casado há 42 anos. No futebol, fez amigos que levará para a vida toda:
— Estou aposentado desde 1994, mas só saio daqui quando a saúde não me deixar mais trabalhar. Tive o prazer de conhecer pessoas como o Garrincha, o Nilton Santos, o Renato, o Loco Abreu...
Fonte: Extra Online
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