terça-feira, 22 de novembro de 2011

Assumpção: negociação com a TV foi 'altamente interessante'

iG: A tendência para os próximos anos é de que os clubes negociem individualmente os direitos de transmissão da TV?
Maurício Assumpção: Eu te digo sinceramente que não sei. Foi naquele momento, e para o Botafogo foi altamente interessante, pois a gente não sairia daquele patamar. E para vários clubes foi muito interessante. O que a gente tem que entender, e eu era contra o modelo do ‘Clube dos 13’, é que era um modelo viciado. Precisávamos romper um pouco com aquilo. Eu acredito muito que havia uma acomodação. Vejo como modelo ideal atualmente, que uma empresa represente os clubes. E que essa empresa tenha um mandato, por exemplo, de dois anos. Alcançou a meta? Ok. Não alcançou? Faz uma licitação e deixa outra empresa trabalhar. Tínhamos um produto que reunia os 20 clubes da série A e não foi desenvolvido nenhum produto, nenhum. Parece mentira.

Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco têm conversado embrionariamente sobre um projeto dos quatro grandes do Rio, talvez até para o ano que vem já tenhamos novidades sobre isso, mas a gente segue essa linha de que ter uma empresa que nos represente. O problema é a falta de tempo. Eu tenho meus problemas, eles os deles, tentamos conversar por e-mail, telefone, mas talvez essa seja uma ideia interessante para os clubes desenvolverem.
iG: Isso não pode aumentar o abismo entre as equipes e tornar o Campeonato Brasileiro próximo do que é o Espanhol?
Maurício Assumpção: Você acha mesmo que o Campeonato Brasileiro pode virar uma Espanha? Quantos clubes estão brigando pelo titulo faltando quatro jogos para o final. E o modelo era muito pior, porque a divisão do bolo era muito pior do que ficou agora. O problema é que a divisão é feita porque existem duas torcidas com 30 e poucos milhões e outras com menos da metade disso. É uma diferença grande. Como eu brigo? Eu tenho uma torcida diferenciada em determinados segmentos. Tenho que fazer com que naquele segmento, minha torcida dê cada vez mais respaldo para tirar mais da televisão. E como faço isso? Qualificando meu time. E ai é a capacidade de gestão, cada um tem que saber fazer o seu,não tem jeito. Agregando outros valores, por exemplo, eu tenho um estádio. Quantos clubes têm no Brasil? Não são todos. Então tenho que tirar dinheiro dele, trazendo outros clubes para jogar aqui. Preciso criar espaços para comercializar patrocínios para todo mundo. Adoraria ter o estádio todo pintado de preto e branco? Adoraria. Mas minha realidade comercial hoje é diferente. Com dinheiro vou qualificar mais meu time, vencer mais títulos, aumentar mais minha torcida. Mas você acha que em três anos se faz isso? Em seis anos? Isso é projeto para 20 anos.
 

 

Fonte: IG 

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