domingo, 6 de maio de 2012
Zagallo e Parreira relembram decisões e dão palpites para Clássico Vovô
Parceiros de longa data e multicampeões. Mario Jorge Lobo Zagallo e Carlos Alberto Parreira são os treinadores que mais vezes comandaram a Seleção Brasileira. Mas eles também tem um currículo vitorioso em separado. Zagallo foi bicampeão carioca como jogador, e também faturou o título duas vezes como técnico do Botafogo. No tricolor carioca, Parreira conquistou o Campeonato Brasileiro de 84 e anos depois ajudou o clube a se recuperar com a conquista da série C do Brasileirão. É difícil não ligar os nomes de Parreira ao Fluminense e de Zagallo ao Botafogo. Em um bate-papo com o Esporte Espetacular, os dois relembram as decisões que já protagonizaram, e também dão seus palpites para a final de 2012.
- Em clássico e em final não tem favorito. O momento do Botafogo talvez seja um pouco melhor que o do Fluminense - disse Parreira
- O Parreira falou que o Botafogo é favorito - brincou Zagallo.
- Não, não disse que é favorito não, disse que vive um bom momento - rebateu Parreira.
Com Zagallo às gargalhadas, os dois amigos celebraram a parceria de mais de 40 anos, separada apenas pela saudável rivalidade entre Botafogo e Fluminense. Os dois times fazem o primeiro jogo da final do Campeonato Carioca hoje, às 16h.
A decisão mais polêmica
Em 1971, o Botafogo jogava contra o Fluminense precisando de um empate para ser campeão. Aos 43 minutos do segundo tempo, uma bola dividida entre o lateral tricolor Marco Antônio e o goleiro alvinegro Ubirajara. Aí começou a polêmica daquele título carioca. O juiz José Marçal Filho não deu falta no lance e a bola sobrou para Lula, que marcou o único gol do jogo, dando o título ao Flu. Zagallo e Parreira estão do mesmo lado também na decisão mais comentada entre os dois times até hoje.
- Vivi dentro do Botafogo doze anos. Como jogador, ganhando títulos, bicampeão, como técnico. E, naquele momento, eu estava ao lado do Fluminense. Naquele jogo, o Ubirajara estava com a mão e a bola, e o Marco Antônio não tava encostando nele não.
Pelo menos na fotografia - lembrou Zagallo.
Parreira faz coro com o Velho Lobo:
- O Marco Antônio disputou a bola com o Ubirajara, que não era um goleiro alto, e, no meu modo, cometeu um erro. Ele não podia de maneira alguma tentar segurar aquela bola, ele tinha que socar. E, naquele embate ali, a bola sobrou pro Lula e o gol foi corretíssimo - disse Parreira.
A última decisão entre os dois clubes foi em 1975, e teve Zagallo e Parreira como oponentes. Em uma triangular final, Vasco, Botafogo e Fluminense se enfrentavam. Todos ganharam um jogo e perderam outro. E o jogo final foi justamente entre o alvinegro e o tricolor. O Botafogo ganhou aquela partida por 1 a 0, mas o Fluminense foi o campeão no saldo de gols.
- Quer dizer, o Botafogo ganhou e acabou não levando - brincou Zagallo.
Entre idas e vindas, uma coincidência. Parreira foi técnico do Flu em quatro oportunidades, a última delas em 2009, bem recente. Zagallo também esteve à frente do Botafogo quatro vezes, a despedida foi em 1987. Nos próximos dois domingos eles vão reviver grandes clássicos, grandes momentos. Como técnicos e torcedores.
- Chegou a hora dessa invencibilidade do Botafogo ser quebrada. É o melhor momento, numa final. Vai ser muito mais gostoso - concluiu Parreira.
- O Botafogo vai lá, tá na hora de ganhar o título. E eu tô com vocês. E o Loco Abreu...Loco Abreu vamos lá, bota esse treze pra brilhar novamente - contestou Zagallo.
Mais de quarenta anos de amizade e parceria. Só mesmo esta decisão para separá-los numa saudável rivalidade.
Fonte: Globoesporte.com
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