terça-feira, 22 de maio de 2012

Herrera, em entrevista: 'Eu sou muito feliz jogando no Botafogo'

Destaque da vitória do Botafogo sobre o São Paulo, pela rodada inaugural do Brasileirão, no último domingo (21), no Engenhão, quando marcou três gols, o argentino Herrera falou com exclusividade ao FutRio sobre a sua carreira, desde o começo, ainda no pequeno Torinto.
FutRio - Em qual momento você decidiu ser atleta de futebol?
Herrera – Eu sempre tive a ilusão em ser jogador profissional. Comecei bem menino, com cinco anos, no Torinto, clube de bairro da Argentina; Depois, com 12 anos, fiz um teste para o clube Rosário Central, passei e aí que começou a minha história, pois estava atuando em um time grande. Aos 14 anos, fui convocado para jogar no sub-17 da Argentina. Mas, foi aos 16 anos que eu comecei mesmo a sentir que poderia ser um jogador profissional, pois eu vinha fazendo um bom trabalho no clube e fui para a seleção. Fiz toda a minha base no Rosário Central, e quando eu tinha 18 anos passei para o time principal e após isso passei por diversos clubes como San Lorenzo, Grêmio, Real Sociedad da Espanha, Corinthians e agora estou no Botafogo. Mas o jogador tem que aproveitar porque passa muito rápido, já passei por vários times e parece que foi ontem.

FutRio - Em algum momento você pensou em desistir da carreira?
Herrera – Eu, graças a Deus, nunca tive um momento muito difícil na minha carreira, que me fizesse pensar em desistir. Todo jogador tem cobrança forte de torcida, do próprio clube, é normal.

FutRio - Você terminou os estudos?
Herrera – Eu sou do interior da Argentina e quando fui convocado para a Seleção Argentina. Ficava muito tempo em Buenos Aires, com isso, saía da minha casa na segunda-feira e só voltava na quinta-feira, então ficava muito difícil para eu poder estudar. Faltando dois anos para eu terminar o segundo grau, eu tive que escolher. Optei pelo futebol e graças a Deus escolhi bem (risos). Mas, eu gostaria de ter terminado a escola porque é muito importante, mas chegou um momento em que eu tive que decidir e o futebol falou mais alto.

FutRio - A carreira de atleta é curta. Qual o seu pensamento em relação a adminstrar sua situação financeira visando que um dia você não estará mais atuando?
Herrera – A parte mais importante é a financeira, onde eu tenho que aproveitar e ter uma base, pois eu tenho uma filha, minha esposa, enfim uma família para sustentar. Então tem que pensar e fazer um suporte financeiro, pois quando encerrar minha carreira eu não sei o que vou fazer ainda.

FutRio - Você já pensou em ser treinador de futebol?
Herrera – Acho que não vou ser não (risos), eu quando encerrar minha carreira acho que vou querer descansar um pouco de concentração, treinamento. Mas isso eu falo hoje, mas quando passar dois, três meses depois que encerrou a carreira, acho que vou sentir falta do futebol.

FutRio - Na sua visão. Qual a diferença do futebol argentino para o Brasileiro?
Herrera – O futebol brasileiro tem muito jogador que começa no salão, na Argentina não tem isso, todos começam no campo. E no salão, o jogador adquire uma técnica. Eu acho que tecnicamente o futebol brasileiro é melhor, mas taticamente eu acho que o futebol argentino é superior. Logicamente que no Brasil tem jogadores táticos também, e na Argentina tem jogadores técnicos, mas essa eu acho que é a grande diferença.

FutRio - O Mano Menezes foi seu treinador no Grêmio e Corinthians. Hoje ele comanda a Seleção Brasileira. É verídica a história que você poderia se naturalizar brasileiro para poder jogar na Seleção Brasileira?
Herrera – Eu me dou muito bem com o Mano Menezes, tenho uma ótima relação com ele, mas em relação a eu me naturalizar brasileiro, foi tudo uma grande brincadeira. Tenho um carinho lindo pelo Brasil, mas a Argentina está no sangue.

FutRio - No Brasil você atuou no Grêmio, Corinthians e hoje joga no Botafogo. Como você avalia suas passagens pelo futebol brasileiro?
Herrera – Foram boas as minhas passagens pelo Grêmio, Corinthians e estou muito feliz no Botafogo. Reconhecimento, carinho, nos três clubes que atuei no Brasil sempre fui muito bem recebido, o torcedor sempre me apoiou muito, deixei meu nome escrito.

FutRio - Existe diferença entre o calor, carinho da torcida brasileira para a argentina?
Herrera – Eu quando estou jogando no Brasil eu sinto diferença do carinho da torcida, principalmente por eu ser estrangeiro e na argentina você é mais um, não tem todo esse reconhecimento. Eu sou muito feliz jogando no Botafogo.

FutRio - Um jogo inesquecível na sua carreira?
Herrera – Todos os jogos são importantes. Mas a gente sempre recorda mais o jogo que marca um título, por exemplo. Acho que no ano passado, o título contra o Flamengo foi inesquecível, pela forma que tudo aconteceu, vencemos a Taça Guanabara e a Taça Rio.

FutRio - O que representa a sua família para você?
Herrera – É o que eu tenho de mais importante. Minha mulher, minha filha, que estão sempre comigo, sempre me apoiando.

FutRio - Como você concilia a vida pessoal com a profissional, já que o atleta de futebol tem concentração, treino, viagem?
Herrera – Eu acho que é muito difícil para a mulher acompanhar, pois um dia você está aqui, no outro muda de cidade, país. Eu tenho que agradecer o esforço que minha mulher faz, porque é muito importante.

FutRio - Quem é melhor: Pelé ou Maradona?
Herrera – Pelé é um craque, mas eu não vi muito Pelé jogar, já o Maradona eu vi algumas coisas. Então acho que Maradona.

FutRio - Um ídolo no futebol?
Herrera – Maradona é um ídolo nacional, de todo argentino. Mas meu ídolo mesmo sempre foi o Batistuta.


Fonte: FutRio 

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