domingo, 6 de maio de 2012

Engenhão enfrenta mesmos problemas desde 2007

Um monumento imponente no coração do subúrbio, que conjuga beleza arquitetônica com modernidade, boa visão do espetáculo com funcionalidade. Casa do futebol carioca desde o fechamento do Maracanã, o Engenhão é um ente querido, mas ainda distante do torcedor. Talvez porque, a pouco menos de dois meses de seu quinto aniversário, siga em luta contra os mesmos problemas desde que foi inaugurado.
A acessibilidade é um fantasma que insiste em afugentar as massas de sua maior paixão. Sobre quatro rodas ou trilhos, chegar e partir sempre demanda paciência, resignação quanto à qualidade de serviços e uma dose de obstinação. O trem, principalmente na hora de voltar para casa durante a semana, ainda não caiu no gosto popular. Seja pelo número insuficiente de composições ou pelo temor pela falta de segurança, quem usa se ressente de bom atendimento.
- O serviço de trem na volta é precário. A demora é tanta que desencoraja o frequentador - afirma Lucas Melo, morador da Praça Saens Peña.
Concessionária do serviço, a Supervia alega que o planejamento da operação é feito com base na expectativa de público definida em reuniões semanais na Federação do Rio e na média histórica das competições. Seja qual for, pesquisas da empresa apontam que, desde 2009, a procura do torcedor nunca foi superior a 20% da audiência.
Usuário acostumado
Em jogos decisivos como o de hoje, normalmente são disponibilizados três trens extras para cada ramal - Central, Santa Cruz e Japeri -, cada um capaz de transportar 1.500 pessoas. O intervalo da grande normal no domingo, segundo a empresa, costuma ser de 40 minutos. hoje, a promessa é que seja de 20. No meio de semana, há geralmente apenas um trem extra para cada destino. Como este só parte quando lota, o torcedor que entrou na estação Engenho de Dentro tão logo o juiz pediu a bola sofre com a espera.
- O usuário do trem está acostumado a esses intervalos - pondera Sônia Antunes, gerente comercial da SuperVia, acrescentando que as quase 90 estações dos três ramais permanecem abertas, com efetivo de funcionários e agentes de segurança até o último torcedor desembarcar, numa operação de custo desconhecido. - Até hoje não sabemos o quanto gastamos.
Nas noites de shows de Paul McCartney, o usuário não teve do que reclamar. Administrador do estádio até 2027, o Botafogo lamenta, no entanto, que o futebol não seja tratado como prioridade. A diretoria diz que há anos cobra grade mais adequada para jogos e a adesão do bilhete único entre a empresa e o metrô, mas a proposta nunca foi levada adiante. O empurrão poderia ser dado pelo governo do Estado, que, na visão do clube, deveria impor a prestação de um serviço de excelência.
- Concessionária de serviço público pode e deve ganhar dinheiro, mas tem uma obrigação implícita com a sociedade - afirma o diretor executivo alvinegro, Sérgio Landau. - Por algum motivo, parece não haver interesse econômico.
Ir de carro ao Engenhão também não é recomendável. Quem sai da Zona Sul e pega a Linha Amarela via Linha Vermelha começa em três pistas e desemboca numa única. Os engarrafamentos são inevitáveis. Em jogos de meia de semana, o acesso pela Rua 24 de Maio não foge à regra. Na falta de bolsões de estacionamento, o do estádio, na Rua das Oficinas, é uma das raras alternativas, mas a Rua Dr. Padilha, caminho natural para quem quer chegar lá, é fechada pela própria CET-RIO. Os motoristas têm de entrar na Rua Piauí, onde a convergência com carros vindos de outras direções torna o transtorno inevitável.
- O esquema de trânsito está no site - limitou-se a dizer um assessor da CET-RIO.
O comércio de comida e bebida por moradores na Dr. Padilha, permitido por um decreto de 2007 promulgado pelo ex-prefeito Cesar Maia, assim como a presença de ambulantes, esvaziam a receita do estádio, questiona o Botafogo. Em dezembro do ano passado, o secretário especial da Ordem Pública, Alex Costa, anunciou novo decreto que proibiria a venda de cerveja nas duas horas antes e depois dos jogos, como já havia feito o prefeito Eduardo Paes em 2010, no Maracanã.
Conciliar interesses
O intuito é frear a violência e melhorar o fluno no entorno do estádio. Até agora, porém, nada aconteceu.
- Estamos conversando para conciliar os interesses de todos. O Engenhão parece que foi recortado e posto ali onde está - explicou o secretário.
Atualmente, a Secretaria Municipal de Obras faz melhorias na rede de drenagens e promete entregar no segundo semestre o Viaduto da Abolição, que voltará a unir o bairro e facilitará a vida de quem deixa o estádio em direção à região da Barra e de Jacarepaguá. Por enquanto, não há previsão para o alargamento das calçadas. Enquanto os problemas persistirem, é normal que o torcedor pense sempre duas vezes antes de deixar o sofá de casa.

Fonte: O Globo 

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