quinta-feira, 26 de abril de 2012

(Vale ler!) Ambicioso, Oswaldo faz Botafogo sonhar com títulos


A cada visita a General Severiano, quem vive a rotina dos quatro grandes do Rio se depara com novas instalações, com a crescente organização do futebol e com o trabalho de quem sua a camisa como se fosse empregado do clube. Sob o sol forte da manhã de quarta-feira, o presidente Mauricio Assumpção sorriu ao ser cumprimentado pela obra em progresso, mas respondeu com humor “que só estava faltando um detalhe, que é conquistar títulos”. Ao contrário da doutrina que cruza bons resultados com planejamento, no Botafogo as duas linhas gerais da administração esportiva correm paralelas. O caminho mais curto para que se encontrem na final Taça Rio, domingo, contra o Vasco, passa pela trajetória do técnico Oswaldo de Oliveira
— Se a gente quiser, como ele quer, as coisas vão ficar muito mais fáceis — reconhece o atacante Maicosuel, sobre a contribuição do treinador que vai muito além do trabalho de campo.
Campeão brasileiro e mundial pelo Corinthians logo que iniciou a carreira como treinador, é o melhor exemplo para quem não aceita outra coisa, se não a disputa entre os melhores. Antes de a temporada entrar na fase de jogos eliminatórios, o técnico tinha cerca de três reuniões semanais com o grupo, nas quais instava os jogadores a cruzar a fronteira que separa profissionais corretos de grandes campeões. “Vocês têm que vir comigo!”, gritava o técnico, disposto a superar o bloqueio que impedia o desejo de vencer o medo no coração alvinegro.
— Parece que vocês estão com um escudo. É preciso acreditar de peito aberto.
Nos últimos anos, a escassez de títulos nacionais e de peças no elenco foram uma válvula de pressão e de escape para quem já deixou o Botafogo. Enquanto Joel Santana usava as carências para jogar na retranca à espera das bolas paradas, Caio Júnior insistia que era preciso de tempo para se mudar o padrão tático e emocional do time. De certa forma, ambos deixavam para depois um bom futebol que o torcedor quer ver agora com Oswaldo. No lugar dos fantasmas do passado, o mal a ser combatido hoje está do outro lado:
— Temos que minar o Felipe — afirma o camisa 7.
De volta ao time titular, Maicosuel espera reviver a tarde inspirada da final da Taça Rio de 2009, quando marcou duas vezes na vitória por 4 a 1 sobre o Vasco. Com Renato machucado, Fellype Gabriel deve ser improvisado à frente da zaga. Mesmo que conquiste a Taça Rio, domingo, Maicosuel se sente incapaz de retribuir tamanha acolhida.
— Por essa carência de títulos, pelos poucos gols que marquei, sempre vou ter esse sentimento de dívida com o Botafogo. O status que tenho hoje no futebol é por causa desse clube — disse o atacante, conhecido como Mago e pela sequencia de lesões.
— Ninguém gosta de ficar machucado. Essa final pode ser uma redenção para mim.
Para o projeto de Oswaldo, a Taça Rio é só mais uma etapa da escalada gloriosa. Com a Copa do Brasil em andamento e o Brasileiro a disputar, o técnico diluiu as cobranças em suaves prestações para que a fatura seja liquidada na hora certa:
— Oswaldo quer ganhar tudo, mas tem que ser passo a passo — disse o zagueiro Fábio Ferreira, entre a paciência e a ansiedade para celebrar uma mudança de hábitos. — Foram dois anos pecando na reta final para chegar à Libertadores.
Entre os melhores do país
Seja pelas glórias dos anos 50/60 ou pelas dores recentes, o passado tem um peso que já fez muita gente usá-lo como muleta em General Severiano. Ao contrário das caminhadas claudicantes de outrora, Oswaldo tem a cabeça erguida e o peito estufado por um orgulho justificado:
— Dizem que o Botafogo ainda não encantou este ano, mas qual o time no Brasil que está encantando? A mim, o time tem convencido desde o primeiro jogo — disse o técnico, após a vitória sobre o Bangu para combater o sentimento de que o Botafogo ainda precisa superar traumas e carências para estar à altura de suas tradições. — Respeito o passado, me orgulho muito de estar nesse clube de tantos craques, mas temos que viver hoje.
No lugar de lembranças ou planos para o futuro, Oswaldo tem trabalhado para que a confiança se faça presente domingo. Na parte administrativa, o clube acompanha a evolução do time. Unidas pela trajetória do técnico, as retas paralelas formam um polígono. Do cruzamento das linhas alvinegras, surge o desenho glorioso da estrela.

Fonte: O Globo Online 

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