Com o olhar sempre distante, Renato parece pensar na frente. Da mesma maneira quando a bola chega aos seus pés, ele sabe o que fazer. Aos 32 anos, o camisa oito já se sente em casa no Botafogo a ponto de parecer que está há anos no clube, quando chegou há apenas nove meses.
O meia não marca a aposentadoria. Se depender dele, a camisa oito demorará a ter um novo dono.
— Com a idade, aprendemos o que chamam de atalho dos campos. Não corremos tanto, mas chegamos mesmo assim. Acho que ainda falta muito para aposentar. Tenho contrato com o clube até 2014 e penso em ficar bastante tempo no Botafogo. Se no final, eles não me quiserem mais, procuramos outro time — afirmou Renato.
Bem resolvido, ele ainda sonha em vestir a camisa da seleção brasileira em uma Copa do Mundo.
— Não fecho as portas. Acho que ainda posso ser chamado e ajudar. Fico muito feliz de ter defendido a seleção brasileira. Agradeço ao Leão, que me convocou pela primeira vez, e ao Felipão. Os dois me deram a oportunidade — disse Renato.
O drama de Puerta
Da Espanha, Renato guarda as saudades de sete temporadas defendendo o Sevilla. Muitos amigos ficaram e, principalmente, uma iguaria que não se acha no Brasil.
— Eu gostava muito da cidade. Deixei muitos amigos lá e nos falamos direto pela internet. Sinto falta de "jamón", o presunto de lá, que é muito gostoso (risos) — brinca Renato, que fala sério ao lembrar da morte do companheiro, Antônio Puerta, em campo, em 2007.
— Foi uma coisa muito triste. O Puerta disputou o lance logo depois de mim e saiu andando. Antes, ele já tinha desmaiado duas vezes no treino. Mas os médicos disseram que era por causa do calor e realmente estava muito quente — revelou.
Ainda na Espanha, Renato lembra do início de um argentino baixinho.
— Desde a base, Messi já chamava a atenção na Espanha. O sucesso dele é merecido, mas tem um time que joga muito. Talvez consiga chegar no patamar de Pelé e Maradona. Se ele continuar no ritmo que está...
Da mesma forma calma que chega, Renato se despede. O destino é o lar, onde seus filhos Renatinho e Rafinha esperam para duelos de Mário Kart, único lugar onde Renato aceita perder mais do que ganhar.
Fonte:Extraonline



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