Você vem perdendo pênaltis. Cristiano Ronaldo e Messi também perderam. O que está acontecendo?
Hoje, os goleiros são fortes. Têm mais de 1m90 e, quando pulam com o braço esticado, diminuem a possibilidade de gol. Treinam com boa tecnologia e estudam o estilo do batedor. Somália, do Boavista, bate de forma maravilhosa. Ele vai devagar até a bola. Se o goleiro ameaça se deslocar, ele bate do outro lado.
Está triste por ter perdido seis pênaltis em sete cobrados?
Sinceramente? Depois das duas situações que Deus deu para mim, no Mundial (pelo Uruguai, contra Gana) e contra o Flamengo (final da Taça Rio de 2010), eu não posso reclamar. O torcedor, na rua, diz pra mim: "Esquece. Pode errar mais dez". O torcedor dá valor ao que já fiz.
Está então satisfeito?
Vou querer melhorar, continuar treinando e, talvez, tentar mudar a forma de bater. Isso não é por acaso. Tem um porquê. Mas aprendi na vida que o futebol é um esporte. Você pode ganhar, empatar e perder, mas não deve levar pra casa os problemas do trabalho. Do mesmo jeito, não fico em casa comemorando quando venço. Eu teria uma vida maluca se perdesse e ficasse embaixo da mesa.
Já havia acontecido antes?
Vocês são f... com estatísticas. No Nacional, errei quatro pênaltis seguidos, em 2004. Agora, seguidos pra valer também são quatro. Empatei o recorde negativo.
Tem personalidade para bater pênalti contra o Vasco, apesar do jejum?
Jejum foi ter ficado três anos perdendo finais para o Flamengo. E a palavra não é personalidade e, sim, convicção de que tenho a técnica para bater. Mas respeito o treinador se ele disser para eu dar um tempo e escolher outro. Vou entender.
Oswaldo falou com você?
Não. E digo que no Nacional, quando perdi quatro pênaltis, o De Leon era o treinador e, mesmo com a imprensa fazendo pressão, ele decidiu que eu bateria até acertar. A confiança que ele me deu foi fundamental. No jogo seguinte, fiz o gol de pênalti que nos deu o título uruguaio, aos 93 minutos. Bati com uma "picadita" ("cavadinha"). Mas, agora, se o treinador me pedir para dar um descanso, não vou ficar dizendo que tenho três colhões para bater.
Fonte: Extra Online
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