domingo, 29 de abril de 2012

Feliz no Botafogo, Loco avisa: 'Falta a vaga para a Libertadores'


Esperança alvinegra no primeiro título do Botafogo no Engenhão, Loco Abreu vê uma pequena vantagem do Vasco no confronto deste domingo, diz estar feliz no Glorioso e não deseja uma final entre Uruguai e Brasil na Copa de 2014. Na arquibancada, o atacante terá um torcedor ilustre: o uruguaio Washington Miguel, seu pai. Na primeira visita ao Rio, está encantado com a cidade e orgulhoso de seu niño.
O DIA: Qual a sua expectativa para a final? Espera um jogo aberto?
LOCO ABREU: Espero um Engenhão lotado, um jogo bonito e que o Botafogo consiga impor seu estilo. Pelas características dos times, com certeza, será um jogo aberto.
O que significa fazer parte dessa primeira conquista no Engenhão?
Isso é estatística. O importante é que está se jogando um título, independentemente de ser ou não histórico. Depois que for, dá para colocar nas estatísticas que foi o primeiro título no Engenhão. Mas não muda a nossa preparação mental.

Tem favorito?

O Vasco chega melhor, porque vem com o mesmo treinador e elenco, foi segundo no Brasileiro, é o atual campeão da Copa do Brasil, foi para a decisão da Taça Guanabara e vai jogar a final da Taça Rio. Por isso, vejo vantagem. Mas, na hora da decisão, num clássico em partida única, muda tudo.
O Botafogo é um clube de ídolos como Garrincha e Nílton Santos. Como você alcançou a idolatria?
Eu não jogo para amanhã o torcedor dizer que sou ídolo do Botafogo. Jogo para honrar o meu compromisso com o clube, com a história que o clube tem e conseguir os objetivos do grupo. Quem denomina ídolo não sou eu, é o torcedor.
Você sente ídolo? Tem noção do amor que a torcida sente por você?
Eu me sinto um jogador importante dentro de um esquema. Tenho noção porque por onde eu ando o torcedor me transmite um sentimento. Dá para perceber que é um carinho que não vem de hoje e, sim, desde o momento que cheguei, há dois anos e meio. Não tenho palavras porque é impressionante essa demonstração, que é também para a minha família
Você tem 35 anos, 18 de carreira e 17 clubes. Por que só alcançou 100 jogos pelo Botafogo?
Tem uma identificação muito grande com as características do time e a forma como jogo, a credibilidade da diretoria e uma parceria do clube e da torcida comigo. E as coisas boas que aconteceram ao longo desse tempo: o título carioca de 2010, os botafoguenses torcendo para o Uruguai no Mundial da África do Sul e na Copa América. Desfruto com muita felicidade o meu momento no clube e com a minha família na cidade do Rio.
Por que você não conseguiu atingir 100 jogos em outros clubes?
Não conseguia me identificar com a ideia que eu faço de um clube, que é de ser grande, respeitoso, reconhecido mundialmente e com uma estrutura de alto nível. O Botafogo tem uma estrutura muito boa, a preparação no dia a dia é muito boa e a mentalidade da comissão técnica é muito atualizada. Tudo isso faz parte do que quero num time e esse é o caminho para atingir meus objetivos. No contexto geral, foi a primeira vez que consegui e me sinto feliz.
Você é feliz no Botafogo? Não falta nada?
Totalmente feliz. Falta classificar para a Libertadores.
O Botafogo precisa de reforços para o Brasileiro?
Gosto do grupo que a gente tem. Obviamente que se fizer análise concreta de posições, com certeza precisa chegar algum jogador. Mas nós temos um elenco muito competitivo.
Você ganhou visto de permanência para trabalhar no Brasil. Como foi?
Acabou o meu visto provisório, daí me disseram que eu tinha que assinar, tirar uma foto e pegar o visto permanente. Acontece comigo como com quem vem trabalhar na cozinha de um restaurante, por exemplo. Para qualquer um, a sequência é essa, não é especial para o Loco Abreu. Não sei por que dão tanta importância para algo que para todo mundo é igual. Tem muitas coisas que eu não concordo de fazer tanto oba-oba. Se fosse diferente, especial, mas não, é igual para qualquer estrangeiro.
Tudo que é seu toma uma proporção maior?
Eu sei que eu sou a principal referência para os jornalistas dentro do clube. Com quem vão arrumar confusão? Com o Loco Abreu. Com quem pode dar algo positivo? Loco, porque faz gols decisivos. Tem o lado positivo e negativo. Não concordo, mas convivo com isso até o ponto que é o limite, quando passa, dou um gelo. Eu sei que precisa do oba-oba positivo e negativo, mas eu faço nos dois sentidos. Quando eu leio ‘o craque’, eu digo, não sou craque. Craques são Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo.
O que você acha do fim da concentração?
Tirar a concentração vai ser melhor para a parte psicológica do atleta. Hoje, não me adianta, não traz benefício.
Você levou suas avós para andar de limusine, no Uruguai. Como foi?
Foi legal porque as minhas avós já estão em idade avançada, uma delas está doente. Achei legal fazer algo diferente, porque nunca tiveram essa oportunidade e foi um dia muito emocionante. Elas ficaram surpresas em algo totalmente novo, nunca tinham tido essa oportunidade.
Passa pela sua cabeça poder calar o Maracanã como ocorreu em 1950?
Não é uma preocupação nem um desejo. Se eu sonho ser campeão do mundo, que seja contra o Egito ou qualquer time. Queremos ser campeões do mundo.

Fonte: O Dia Online

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