sábado, 21 de abril de 2012

Ex-sócio do Bangu, Oswaldo revela que torceu pelo rival na final de 1967

Com memória privilegiada, treinador do Bota dá detalhes do então clássico carioca, celebra ressurreição e seu carinho pelo bairro vizinho da infância



A ligação íntima entre Oswaldo de Oliveira e Bangu renova o vasto repertório de histórias do treinador do Botafogo. Agora adversário na Taça Rio, em semifinal deste sábado, às 18h30, no Engenhão, ele foi sócio do clube, vizinho do bairro e revela até que torceu para o time alvirrubro na final do Campeonato Carioca de 1967, única entre ambos e vencida pelo Alvinegro. Na ocasião, a identificação ocorria por ser morador de Realengo, também na Zona Oeste, e por ter amigos e até um primo, chamado Milano, jogando nas categorias de base da atual surpresa do estadual.
- Era um grande clássico. O início da minha história no futebol se confunde com a força que o Bangu tinha. Fui sócio e atleta amador. Sem dúvida, o jogo mais marcante foi o de 67. Fiquei atrás do gol onde foi marcado o segundo gol do Botafogo, do Roberto. Era uma tarde de domingo chuvosa. Dois timaços, e o Leônidas (homenageado do mês pelo Glorioso) fez uma das melhores partidas que já vi um zagueiro fazer na minha vida. Fui para torcer para o Bangu, sim - contou, sobre o duelo que acabou por 2 a 1 - Gérson e Mário fizeram os outros gols.
Oswaldo, na época, tinha 16 anos e mantinha o sonho de se tornar jogador de futebol. Estudava no Colégio Estadual Professor Daltro Santos, pertinho de Moça Bonita e se recorda de seus primeiros jogos no estádio, onde pulava o muro com frequência. A ótima memória e o sentimento de nostalgia que o envolvem impressionam a cada informação destacada de décadas atrás.

Oswaldo de Oliveira foi torcedor do Bangu na infância por amigos e pelo bairro (Foto: Ivo Gonzalez / O Globo)



- Tenho um carinho especial, mas só até amanhã, na hora do jogo. Quero vencer. Lógico que quero também se saiam bem e continuem com o trabalho. Também gosto do América, do Bonsucesso, onde trabalhei... Tenho um coração grande (risos). Lembro do Botafogo, por exemplo, fazendo a estreia do campeonato de 63, que passou a ter 13 equipes, contra o Campo Grande, que tinha acabara de subir. Garrincha não jogou, o Amarildo estava lá. Querem mais detalhes (risos)? - diverte-se o treinador, um grande apaixonado pelo estadual.
- Mexe muito comigo. Só por essa tradição é que não sou contra a manutenção da competição. Poderia ser mais compacta, é complicado jogar, mas é lindo - frisou.
Oswaldo só lamenta a perda da força da rivalidade entre os clubes. Mas crê na ressureição.
- Sempre foi um grande de parte a parte. Pena que depois o Bangu teve um declíncio financeiro. E não figurou mais entre os principais (apesar de ter sido vice carioca do Flu, em 85, e vice brasileiro para o Coritiba, no mesmo ano). Mas como ressurgiu e até pela maneira que alcançou essa virada, acho que virou um clássico de novo. As duas equipes estão em igualdade de condições - aponta.
Confira a ficha da final do Carioca de 1967:
BOTAFOGO 2x1 BANGU
Data: 17.12.1967
Local: Maracanã, Rio de Janeiro
Renda: NCr$ 220.902,00
Público: 111.641 (91.881 pagantes)
Árbitro: Antônio Viug

GOLS: Roberto 12’ e Gérson 67’ (Botafogo); Mário 52’ (Bangu)

Botafogo: Manga, Paulistinha, Zé Carlos, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo Cézar. Técnico: Mário Zagallo.
Bangu: Ubirajara Motta, Cabrita, Mário Tito, Luís Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Mário, Del Vecchio e Aladim. Técnico: Plácido Monsores.




Fonte : globoesporte.com

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