Noite de clássico no Engenhão: Roger Waters versus “The Wall”, o disco conceitual criado pelo baixista e executado pelo Pink Floyd. Três décadas depois, sem o Floyd, Waters enfim chegou ao Rio com a recriação da obra para grandes estádios. O mundo mudou bastante desde então, fornecendo novos sentidos (políticos, principalmente) para as músicas e muitas possibilidades tecnológicas para fazer um espetáculo ainda mais grandioso e bombástico. E as promessas foram todas cumpridas, em noite de casa cheia (porém não lotada) no estádio, que recebeu cerca de 50 mil pessoas.
Ópera rock em 2 tempos
Links Roger Waters
O roteiro é conhecido: as 26 canções do disco duplo, versando sobre as neuroses de um astro do rock cujo pai morreu na guerra e que é superprotegido pela mãe, oprimido no colégio, incapaz de se comunicar com a própria mulher e alienado pela fama. “The wall” é a história do muro que ele ergue em volta de si e que Waters transformou numa ópera-rock, com algumas canções que ganharam vida própria, como “Another brick in the wall (part II)” e “Confortably numb” — os momentos mais aclamados na noite.
Na versão 2012, o disco tomou ares de musical da Broadway, com todo um aparato de projeções no muro, marionetes gigantes e efeitos no som surround. Musicalmente, é uma impecável reprodução do disco, com uma banda de 12 músicos, nas quais se destacam o guitarrista Dave Kilminster e o tecladista (e filho de Roger) Harry Waters. Como esperado, no roteiro, houve a menção a Jean Charles de Menezes e a participação dos meninos da escola de música da Rocinha (com camisas em que se lia, em inglês, “o medo ergue muros”) em “Another brick in the wall (part II)”. Momentos em que o orgulho nacional falou alto, assim como aquele ao ver o porco (que estava mais para javali) voador com a inscrição, em português mesmo, de “porcos fardados”.
Ao longo da execução do primeiro disco, o principal impacto visual se dá quando um avião atinge o muro enquanto Waters canta “Mother”, ao violão, contracenando com sua própria imagem de 30 anos atrás, e quando o muro se completa, lá pela altura da torturada “Don’t leave me now”.
O repertório do disco se completa em uma hora cronometrada de show. Como no teatro, antes da segunda parte tem um intervalo. A execução do disco 2 começa depois de 25 minutos com “Hey you”, e o início do verdadeiro show de projeções. Em “Confortably numb”, Kilminster sola sua guitarra do alto do muro, em momento emocionante.
A teatral “The trial” anuncia o ápice do espetáculo, que é a derrubada da grande parede, clamada freneticamente pelo público. Uma catarse, uma final de campeonato, cuja volta olímpica é uma rendição acústica de “Outside the wall”. Cai o pano e todos vão para casa, satisfeitos.
Fonte: O Globo Online
Nenhum comentário:
Postar um comentário