As mortes dos palmeirenses Guilherme Vinicius Jovanelli Moreira, 19 anos, e André Alves Lezo, 21, repercutiram também no Rio de Janeiro. Cartolas cariocas 'alfinetaram' os paulistas e apontaram para um cenário menos caótico no Estado. O presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, foi além e fez duras críticas à Polícia Militar de São Paulo e à FPF (Federação Paulista de Futebol) após o confronto entre as torcidas organizadas Mancha Alviverde e Gaviões da Fiel, antes do clássico entre Palmeiras e Corinthians, no último domingo.
O dirigente do alvinegro carioca considera um absurdo a medida que impõe uma carga de apenas 10% dos ingressos para a torcida do time visitante nos clássicos paulistas. Assumpção sempre se posicionou contra esta medida, que tentou ser implementada no futebol carioca, sem sucesso.
“Em primeiro lugar, acho que a morte de qualquer torcedor por causa de briga é um sinal real de falência da sociedade. Não há cabimento nisso. E esse troço de reservar 10% dos ingressos para uma torcida é um absurdo. É outra demonstração de incapacidade de convivência social e de planejamento das autoridades. Se coloca apenas 10% dos ingressos, daquele time só vão os torcedores de organizadas que são vândalos. É um convite à violência” disse Assumpção.
O presidente do Botafogo lembrou dos tempos de criança, quando frequentava o Maracanã junto com o pai, alvinegro como ele, e a mãe, torcedora do Fluminense.
“O estádio ficava meio a meio, todo mundo zoava todo mundo, e todo mundo se respeitava. Mudar isso é sinal de incompetência. Felizmente, aqui no Rio, a Polícia Militar entendeu que esta não era a melhor solução. Aliás, o GEPE [Grupamento Especial de Policiamento nos Estádios] faz um trabalho bem melhor do que em São Paulo, num tema complicado. Aqui também há emboscadas, violência, mas a polícia trabalha para evitar”, prosseguiu.
Assumpção disse ainda que é preciso acabar de uma vez por todas com a proibição da venda de cervejas nos estádios, colocando o dedo na ferida de um dos pontos mais polêmicos relacionados à organização da Copa do Mundo de 2014.
“A proibição gera um caos. Além de afastar torcedores dos estádios, tornando o espetáculo menos atraente, a entrada no estádio vira um inferno. Os torcedores ficam do lado de fora bebendo nos bares, nos ambulantes e quando faltam 15 minutos para a partida começar, entram todos juntos. As 72 roletas do Engenhão, por exemplo, não dão conta. As pessoas são pisoteadas, pulam roletas, quebram roletas. A proibição acaba gerando vandalismo”, atacou.
A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, também falou sobre as mortes em São Paulo. A mandatária alfinetou os dirigentes paulistas e disse que o Rio de Janeiro pode servir como exemplo nesta questão. "Não sei, mas acho que a relação entre os presidentes dos clubes aqui no Rio é mais saudável, menos hostil. Nunca estimulamos a violência. Por isso não chegamos a este extremo que aconteceu em São Paulo", opinou.
Fonte: UOL
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