Botafogo e Treze (PB) têm como grandes ídolos Garrincha e Nilton Santos. Isso pode surpreender, mas é verdade. Rivais hoje em João Pessoa (PB) em duelo no Almeidão, às 22h, pela primeira fase na Copa do Brasil, os clubes têm histórias de sobra com a dupla bicampeã mundial pela Seleção. O LANCENET! foi até Campina Grande, cidade do Treze, a 130 quilômetros da capital, para revelar tudo.
Na sede do Treze, no Estádio Presidente Vargas, a reportagem encontrou o professor do Cesed/Facisa-PB (Centro de Ensino Superior e Desenvolvimento/Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas) Mário Vinícius, de 49 anos, que publicou, em 2006, o livro “Treze Futebol Clube: 80 anos de história”. Ele conta a passagem de Garrincha e Nilton Santos pelo clube, em um jogo especial nos anos 60.
Em 8 de fevereiro de 1968, Garrincha e seus 34 anos enfrentaram a seleção da Romênia, em derrota por 2 a 1. Um ano depois, em 31 de agosto, diante do Campo Grande (RJ), o lateral-esquerdo Nilton Santos, aos 44 anos, e de zagueiro, se destacou em vitória do Treze por 1 a 0. Ambos os confrontos foram no Presidente Vargas, com mais de 10 mil pessoas.
Os registros dessas passagens quase foram perdidas com o tempo, porém Mário Vinícius fez um resgate e tanto, que o enche de orgulho.
– Para achar a foto do Nilton Santos pelo Treze, precisei olhar duas mil imagens. Quando encontrei, foi a maior alegria do mundo – destacou.
Nilton Santos pelo uniforme do Treze, aos 44 anos, em 1969 (FOTO: Arquivo Pessoal)
Mas como Garrincha, um dos maiores atacantes do mundo, foi parar no interior da Paraíba? E Nilton Santos? Mário Vinícius explicou:
– Morava em Campina Grande um camarada húngaro chamado Janos Tatray, que tinha influência no futebol e contratou os craques. Ele foi prisioneiro de guerra, esteve em 44 países antes de vir ao Brasil. Para ele nada era impossível – comentou.
Ao Botafogo, resta pontuar na bola. Boas lembranças, só no passado.
EMOÇÃO EM PAPO NO CAMPO DE JOGO
– Foi aqui, nesta ponta direita. Já no final do primeiro tempo, Garrincha colocou um zagueiro para dançar como nos velhos tempos. Não era mais o mesmo, mas saiu no segundo tempo, aplaudido de pé.
Emocionado, o professor Mário Vinícius convida a reportagem para o campo e posa para foto ali, onde Garrincha foi rei por segundos. Hoje, o estádio é limitado para 5 mil pessoas e não recebe partidas.
A diretoria do Treze pretende re-ormar o estádio para reativá-lo no ano que vem. Enquanto isso, o time profissional treina no solo sagrado.
– Aqui na Paraíba, só o Treze teve dois bicampeões do mundo. Isso é honra demais. Em termos de renome, são os maiores jogadores da nossa História – disse Mário Vinícius.
Papo vai, papo vem, o gerente de futebol do Treze, Josimar Barbosa, se aproxima e não contém a alegria.
– Vi Nilton Santos aqui. Eu estava na arquibancada. Que jogador! Nos conquistou. Ele iria sair no intervalo, mas pediu para jogar o segundo tempo. Dá muita saudade. Falando assim, parece que estou o vendo aqui, bem na minha frente – comentou Josimar Barbosa, antes de lembrança do professor Mário:
– Nilton Santos só vestiu três camisas. A do Botafogo, a da Seleção e a do Treze. Dá orgulho demais.
Professor Mário Vinícius mostra onde Garrincha atuou pelo Treze, no hoje acanhado Estádio Presidente Vargas, em Campina Grande (FOTO: Vinicius Perazzini)
LIVRO SAI APÓS PESQUISA DE 30 ANOS
Garrincha e Nilton Santos ocupam algumas das 535 páginas do livro “Treze Futebol Clube: 80 anos de história”. A publicação conta toda a história do Galo da Borborema, em pesquisa de quase 30 anos.
– Quando eu tinha 12 anos, vi uma foto do Treze no livro sobre os 50 anos do clube e um ex-jogador disse que estava naquela imagem, que era de 1948. Foi aí que pensei: “Nossa, como é interessante resgatar as memórias”. Mesmo pequeno, fiz uma promessa a mim, de que escreveria um livro sobre o Treze no ano 2000, para os 75 anos do clube. Não saiu no ano certo, mas agora está pronto (risos). Vim guardando material desde novo — comentou o professor Mário Vinícius.
O livro é vendido na loja oficial do Treze, no centro de Campina Grande, e pela internet. Por conta da grande quantidade de fotos de jogos do Treze contra seleções internacionais, a obra está disponível em bibliotecas na Argentina, Alemanha, Holanda, Itália, Portugal, entre outros países.
– Um amigo deixou o livro na sede da federação de futebol da Argentina e eles ficaram loucos com uma foto rara da seleção deles. No fim, o livro virou peça de exposição em museu – lembrou Mário Vinícius.
GARRINCHA NO TREZE
Adversário forte
Em 8 de fevereiro de 1968, ocorre um acontecimento histórico. Garrincha, o Anjo das pernas tortas, está em Campina Grande para jogar pelo Treze (PB) contra a seleção da Romênia, já classificada para a Copa do Mundo, que viria ocorrer dois anos depois.
Em 8 de fevereiro de 1968, ocorre um acontecimento histórico. Garrincha, o Anjo das pernas tortas, está em Campina Grande para jogar pelo Treze (PB) contra a seleção da Romênia, já classificada para a Copa do Mundo, que viria ocorrer dois anos depois.
Atração especial
Já entregue ao alcoolismo, que o matou em 1983, aos 49 anos, Garrincha ainda era atração em cidades do Norte-Nordeste. Quem quisesse ver o show ao vivo precisava pagar. Mas valia muito a pena.
Já entregue ao alcoolismo, que o matou em 1983, aos 49 anos, Garrincha ainda era atração em cidades do Norte-Nordeste. Quem quisesse ver o show ao vivo precisava pagar. Mas valia muito a pena.
A alegria do povo
No Estádio Presidente Vargas, Garrincha foi o centro dos holofotes. Até atendeu o pedido de um time amador que jogou a preliminar do Treze: ele saiu na foto posada da equipe. Em campo, foi mediano. A Romênia ganhou por 2 a 1.
No Estádio Presidente Vargas, Garrincha foi o centro dos holofotes. Até atendeu o pedido de um time amador que jogou a preliminar do Treze: ele saiu na foto posada da equipe. Em campo, foi mediano. A Romênia ganhou por 2 a 1.
NILTON SANTOS NO TREZE
Igual ao vinho
Quanto mais velho... Nilton Santos, aos 44 anos, pintou em Campina Grande para outro jogo promocional. Após o frenesi com Garrincha, tudo levava a crer que outro ídolo traria a mesma alegria para a cidade. E isso ocorreu. O lateral-esquerdo estava ainda em forma, mesmo aposentado há cinco anos. No campo, deu baile.
Quanto mais velho... Nilton Santos, aos 44 anos, pintou em Campina Grande para outro jogo promocional. Após o frenesi com Garrincha, tudo levava a crer que outro ídolo traria a mesma alegria para a cidade. E isso ocorreu. O lateral-esquerdo estava ainda em forma, mesmo aposentado há cinco anos. No campo, deu baile.
Zaga consistente
Sem a mesma mobilidade dos tempos áureos, mas com a saúde em dia, Nilton Santos atuou como quarto zagueiro. Pior para o ataque do Campo Grande, do Rio de Janeiro. O placar diz tudo: 1 a 0 para o Treze.
Sem a mesma mobilidade dos tempos áureos, mas com a saúde em dia, Nilton Santos atuou como quarto zagueiro. Pior para o ataque do Campo Grande, do Rio de Janeiro. O placar diz tudo: 1 a 0 para o Treze.
Despedida
O Estádio Presidente Vargas ficou espantado com a qualidade de Nilton Santos. No dia 31 de agosto de 1969, a cidade parou para celebrar o último jogo da Enciclopédia do Futebol.
O Estádio Presidente Vargas ficou espantado com a qualidade de Nilton Santos. No dia 31 de agosto de 1969, a cidade parou para celebrar o último jogo da Enciclopédia do Futebol.
BATE-BOLA
Mário Vinícius
Escritor do livro “Treze Futebol Clube: 80 anos de história”
As pessoas em Campina Grande lembram com frequência de Garrincha e Nilton Santos pelo Treze?
Até antes do livro eram poucos que sabiam desses fatos. Só mesmo os mais velhos, os mais fanáticos. Depois, a história se popularizou pela cidade. Quase toda criança que gosta de futebol aqui sabe sobre Garrincha e Nilton Santos na cidade e tem muito orgulho disso.
Até antes do livro eram poucos que sabiam desses fatos. Só mesmo os mais velhos, os mais fanáticos. Depois, a história se popularizou pela cidade. Quase toda criança que gosta de futebol aqui sabe sobre Garrincha e Nilton Santos na cidade e tem muito orgulho disso.
Ter contado com dois bicampeões do mundo resulta em quais reflexos para a História do Treze?
Na Paraíba, somos o único clube que contou com dois bicampeões do mundo. Isso foi um choque em nossa rivalidade com o Campinense, também aqui da cidade. Tudo o que a gente fazia, eles copiavam. Com Garrincha e Nilton Santos por aqui, isso ficou quase inatingível. Isso é vantagem para se contar por toda a vida, algo muito especial.
Na Paraíba, somos o único clube que contou com dois bicampeões do mundo. Isso foi um choque em nossa rivalidade com o Campinense, também aqui da cidade. Tudo o que a gente fazia, eles copiavam. Com Garrincha e Nilton Santos por aqui, isso ficou quase inatingível. Isso é vantagem para se contar por toda a vida, algo muito especial.
Existe algum carinho especial da torcida do Treze pelo Botafogo?
Existe muito respeito pelo clube. A História do Treze conferiu a passagem de dois atletas que marcaram a existência do Botafogo.
Existe muito respeito pelo clube. A História do Treze conferiu a passagem de dois atletas que marcaram a existência do Botafogo.
Você viu algum dos jogos com Garrincha e Nilton Santos?
Infelizmente, não. Eu era muito novo, descobri tudo por meio de pesquisas. Primeiro, tomei conhecimento sobre a vinda de Garrincha, encontrei diversas fotos. Depois, com Nilton Santos, só após muita pesquisa em documentos.
Infelizmente, não. Eu era muito novo, descobri tudo por meio de pesquisas. Primeiro, tomei conhecimento sobre a vinda de Garrincha, encontrei diversas fotos. Depois, com Nilton Santos, só após muita pesquisa em documentos.
Fonte: Lancenet!



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