Quem poderia salvar Jobson? O Super-homem, a Supernanny? Se a vida fosse uma fantasia, talvez. Mas para encarar a realidade, o atacante encontrou como herói o psicanalista Roberto Hallal, de 68 anos. O profissional cuida do atacante desde novembro do ano passado e, de lá para cá, o jogador não se meteu mais em polêmicas. Com juízo o atleta se ajuda, e beneficia também milhares de pessoas apoiadas pelo médico em projeto criado no interior do Ceará.
A ligação entre Jobson e a comunidade do Juá, um dos quatro distritos do município de Irauçuba, ao norte do sertão cearense, começou pelo pagamento do Botafogo por todo tratamento médico do jogagor. Alvinegro roxo, Roberto Hallal não pediu dinheiro ao clube, mas uniformes oficiais para o Botafogo do Juá, time fundado por ele no Instituto Oziris Pontes, do qual foi fundador e atualmente é diretor geral.
– O Botafogo deu uniformes para nossos oito times. Tem equipe masculina, feminina, de futsal... As pessoas ficaram encantadas, nunca tinham visto o fardamento oficial do Botafogo. É um lugar muito pobre – disse Roberto Hallal.
Se deslanchar, Jobson vai conhecer o Juá, isso ao lado do presidente do Botafogo, Mauricio Assumpção. A visita vai atrair foco para o local.
– Isso vai dar força à existência do Botafogo do Juá. É por meio do time que vamos educar os jovens em um lugar sem álcool – disse o médico.
No Juá, Roberto Hallal afirmou que cuida de 8 mil pessoas, mais que um terço da população de Irauçuba. No Botafogo, só Jobson. Nos dois casos a metodologia é igual: carinho.
– São projetos de valorização de culturas, de estudo de casos vindos de enorme carência educacional. É preciso ter boa vontade, conversar com quem precisa – afirmou o médico.
O projeto no Juá não tem data para acabar, assim como o tratamento de Jobson. Obras de extremo valor.
Jobson: adeus humilhação
Jobson concedeu entrevista coletiva na última quarta-feira ao lado de Roberto Hallal, que também falou com a imprensa. O jogador revisou o passado e desabafou no discurso:
– O período afastado do futebol foi de humilhação. Eu não me sentia atleta. Agora sou um homem, de novo com responsabilidade.
Após Jobson falar, Roberto Hallal tomou a palavra e revelou como apareceu na vida do atleta:
– Tratei uma moça pobre, que tinha contato com um dirigente do Botafogo. Esse dirigente falou de mim para o Mantuano (vice presidente geral em 2011) no ano passado. O clube desconfiou inicialmente, mas viu meu currículo e decidiu apostar – disse Roberto Hallal, que ainda profetizou:
– Se o Jobson seguir como está, Neymar logo terá parceiro de ataque novo na Seleção Brasileira.
- Bate-Bola
Roberto Hallal, Médico responsável pelo tratamento de Jobson
Como você foi parar no interior do Ceará para iniciar um projeto?
Tudo começou com duas professoras locais, que davam aulas de apoio aos alunos da escola pública. Essa turma assistia a alguns vídeos meus, já que sou professor universitário e tenho algumas gravações. Daí, esse grupo resolveu me procurar, vi que o local estava carente e decidi fincar raízes lá.
Com Jobson, qual foi sua primeira impressão quando o encontrou?
No primeiro contato com Jobson, tinha a certeza de que estava de frente com uma pessoa sensível. Ele é inteligente demais. Mesmo com as escolhas feitas antes, é um jogador de futebol. Geralmente, a turma fica pelo caminho quando escolhe o lado errado.
Ele tem jeito sem internação?
Claro! Fui contra a internação. Jobson precisa de acompanhamento. Tudo é proposto para ele.
Qual é a situação dele hoje?
O estado do Jobson é promissor. A situação dele me faz ter certeza de que vale investir no ser humano. Ele está começando a pensar nele como pessoa, cheio de planos.
- Com a palavra
Júnior Ferreira, Ouvidor da prefeitura de Irauçuba (CE)
Juá é exemplo de trabalho benfeito
ertamente o projeto no Juá é referência, algo bom para a região, uma grande obra. As coisas são muito benfeitas por lá. As pessoas recebem atenção, muito carinho. Quando o assunto é estrutura, posso dizer que as instalações são perfeitas.
Sou da prefeitura, mas o projeto no Juá não tem nenhuma ligação com a gente. É algo puramente particular, com a ajuda de deputados. O cenário lá é muito bonito. Acredito que seja um exemplo de trabalho benfeito na cidade.
Fonte: Lancenet!
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