É fato que o Botafogo não jogou nada contra o Nova Iguaçu. Não se discute. Mas a reclamação de Loco Abreu sobre os gramados horrorosos do futebol carioca é mais do que justa. Vivemos a era do profissionalismo. A cobrança é forte. Reclama-se de tudo. Esperneia-se com vontade. Xinga-se com devoção. Ninguém é poupado. Então, se existe tanta cornetagem (e é mais do que normal nos tempos modernos) é absolutamente compreensível que os jogadores peçam boas condições para executar seu trabalho. Jogar uma partida de futebol num campo ruim é como trabalhar num jornal com máquina de escrever. Já era.
O gramado de Moça Bonita está péssimo. A maioria está ruim. A bola fica viva. O risco de um buraco no meio do caminho e de uma lesão por meses é flagrante. Não tenho nada contra o Estádio do Bangu. Sou a favor que seja usado. Gostei de vê-lo sediar partidas do Estadual. Tem história. Passei dois anos da minha vida indo lá diariamente, onde trabalhei como setorista. As pessoas são ótimas. O bairro é simpático. A reabertura de Moça Bonita é saudável. Só esqueceram de arrumar o gramado.
Só isso. Gramado = futebol. Bola corre na grama. Imagine um jogo de tênis com quadra desnivelada. Uma prova de natação com água fria. Quadra de basquete com calombo. Pista de atletismo com ondulações. Adiantará mesmo reclamar, Loco? Estamos num país onde choramos vidas inocentes pela incrível queda de três prédios ao mesmo tempo. Onde bueiros explodem em plena via pública. Restaurante voam pelos ares. Se convivemos com tais absurdos, jogar um jogo com gramado abominável não deve mesmo ser nada demais. Afinal, devem dizer os iluminados de gravata, é só uma partida de futebol.
Loco Abreu está coberto de razão. Só tem um problema: não acontecerá nada. E ainda dirão que ele é chato e resmungão.
Fonte: Blog do Lédio Carmona - Globoesporte.com
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