domingo, 8 de janeiro de 2012

Herrera dá interessante entrevista e diz não ter medo da reserva

A chegada de Jobson ou mesmo uma possível mudança de esquema tático não abalam o argentino Herrera. Com confiança de sobra em seu futebol, o atacante vê com bons olhos a concorrência e não teme ser barrado pelo técnico Oswaldo de Oliveira.

Em entrevista ao MARCA BRASIL, Herrera diz que o ano de 2011 foi ruim para o Botafogo e para ele, por ter jogado fora de posição. No entanto, chegou o momento de virar a página e conquistar novos títulos.

MARCA BRASIL: Como você analisa a temporada de 2011?
Herrera: Não foi boa. O Botafogo ficou fora das finais do Carioca, foi eliminado da Copa do Brasil e depois fizemos ótimo Campeonato Brasileiro, mas a última imagem é a que conta. E a gente ficou sem nada. Então, o balanço foi negativo.

E pessoalmente?
O início foi difícil porque eu vinha de uma lesão e fiquei quase quatro meses sem jogar por conta da cirurgia no ombro, no ano anterior. Custei a me adaptar de novo. Com a chegada do Caio (Júnior), eu tentei ajudar a equipe em uma função que não é a minha. Se eu tivesse jogado na frente, como estou acostumado, eu poderia ter sido mais bem aproveitado.

Foi a pior temporada da sua carreira?
Não. Eu fiz 17 gols e, em 2010, foram 20. Não foi ruim. Mas, na anterior, eu participei muito mais, me senti mais importante na equipe do que no ano passado, quando eu joguei em uma posição que não era a minha. Não atuei onde me sinto confortável. Se eu tivesse jogado bem na frente, onde prefiro, poderia ter sido melhor.

Já conversou com o Oswaldo de Oliveira onde você prefere jogar?
Não. Estamos no início e não houve conversas individuais. Ele se apresentou e explicou como vai ser a metodologia de trabalho. Na verdade, já conhece todo mundo. Sabe quem é quem e onde cada um pode render melhor. Ele vai tirar o melhor de cada um.

Neste ano os setores de meio-campo e de ataque têm caras novas, como Andrezinho e Jobson, além de Elkeson e Maicosuel... Como vê essa concorrência?
Todo ano é assim. Em todo time no qual eu joguei falam que agora tem mais concorrência. Isso é bom, mas eu sei o que posso dar. Eu me sinto muito confiante e isso é o mais importante. Se eu estou bem, não tenho por que temer a concorrência. Vai jogar quem o Oswaldo de Oliveira achar que está melhor e eu vou dar tudo para estar entre os 11 jogadores.

Teme ir para o banco com a volta do Jobson?
Em 2010, ele também chegou e eu joguei.

E a presença do Andrezinho numa possível mudança de esquema?
Isso é uma opção do treinador. Eu não tenho medo de ficar fora. Nunca tive e não vou ter. Como disse, tenho uma confiança muito grande em mim porque sei o que posso dar e você pode trazer qualquer jogador que eu vou dar o máximo para eu jogar. Mas o mais importante é o nosso grupo estar unido, atirando para o mesmo lado, que é a melhor maneira de se conseguir um resultado positivo.

Então, o Herrera não vai para o banco?
Eu não quero ir para o banco! Por que você que está me colocando no banco? (risos)

Acredita que a torcida está na bronca com você?
Não! Eu não sinto essa bronca. Sempre me dediquei ao máximo com a camisa do Botafogo e vou continuar assim. No ano passado, eu tive que fazer uma função difícil, que me dificultou em grande parte do campeonato. Como não chegamos à Libertadores, logicamente, teve uma cobrança muito maior. Não só para mim, mas para todos. Estamos tristes por não termos conseguido, porque era o que a gente queria, mas já passou. Não tem que ficar lamentando. É uma nova etapa.

Você levou muitos cartões no ano por reclamações excessivas. Como explica?
Em 2010, também tive. Só que fomos campeões e ninguém falou nada. Quando se consegue resultado, as coisas se apagam. Mas, quando não se consegue, buscam qualquer pretexto para falar do cara, que não está bem. É a minha maneira de jogar. Se você contar todos os cartões que levei, a metade foi injusta, mas quem fala que foi?

Por que injusto?
Ninguém analisa os cartões, eu analiso. A metade não era para ter levado. Se eu atraso uma jogada, beleza, cartão. Mas, se eu não fiz nada e levo cartão? Ninguém diz que foi mal aplicado ou injusto. Tento deixar isso de lado e seguir trabalhando, como sempre fiz. Agora é começar 2012 com tudo, com muito treino e força, para que seja muito melhor do que o ano passado.

Você se sente perseguido de alguma forma?
Pela minha maneira de jogar, não sei se me olham diferente. Eu tento fazer o melhor. Mas, aqui, se você encosta no cara, é falta. Não sei se eu sou prejudicado ou se o futebol é que está sendo prejudicado. Não gosto de falar disso. Quero deixar de lado e fazer o meu trabalho. Sei das condições que tenho e o que já fiz. Tenho certeza de que vou dar muitas alegrias à torcida do Botafogo.

Quem vai ser esse Herrera de 2012?
Vai ser o Herrera que sempre foi: um lutador. Gosto de ajudar a minha equipe ao máximo, vou dar o melhor de mim como sempre tentei e tomara que possa dar muitas alegrias.

Quer ser o Herrera do Corinthians de 2008 ou do Botafogo de 2010?
Quero ser o mesmo de sempre. Eu me sinto muito confiante e isso é 50% da vida de um jogador, porque, quando ele não se sente assim, não rende o esperado. Já passou a etapa do ano passado, essa é uma nova. E eu estou com a confiança no máximo e vou dar tudo com essa camisa como sempre fiz.

Você só jogou pela seleção argentina na categoria sub-20. Ainda sonha com isso?
Não, sonho não. Eu já tive esse sonho realizado. Poderia ter tido alguma chance em um momento. Mas hoje eu não espero ser chamado e, sim, fazer as coisas bem no meu clube e dar muitas alegrias ao Botafogo. Depois, se vier, é importante, mas não penso nisso.

E sobre a possibilidade de você tirar dupla nacionalidade. Está querendo virar brasileiro?
Às vezes eu me assusto muito com as notícias que são publicadas. Nunca iniciei o trâmite de naturalização. A única coisa que eu tenho é a residência permanente.

Para ser brasileiro, tem que beber caipirinha e saber dançar, sambar?
Caipirinha eu não gosto. É muito forte. Não sou muito bom de dançar, mas tento sambar.

Um grande sonho...
Ser campeão brasileiro com a camisa do Botafogo.

Fonte: O Dia Online 

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