quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Após choro e ex-torcedor do Fla, pai sonha virar motorista de Renan Lemos

A poucos quilômetros de General Severiano, o telefone de Rogério dos Santos tocou. Era sua mulher, Valquíria, para dar a notícia: o filho Renan havia subido da categoria de base para o profissional do Botafogo. Motorista da linha 474 (Jardim de Alah-Jacaré), o paizão não segurou as lágrimas ao passar dirigindo pela sede do clube naquela manhã do dia 23 de dezembro.
“Foi o meu presente de Natal. Quando passei pelo Botafogo, não aguentei e comecei a chorar muito. Os passageiros ficaram me olhando sem entender nada”, lembra Rogério, que há 12 anos acompanha a luta diária de Renan para vencer no futebol. “É a sensação de dever cumprido. Mas eu sei e ele também sabe que esta é só uma etapa. É preciso manter a humildade porque não adianta ser bom e não ter a cabeça no lugar”, ensina Rogério.
Em sua primeira entrevista como profissional, Renan, 18 anos, também não aguentou a emoção e chorou ao falar do pai. “Vou agarrar essa oportunidade com todas as forças para tirá-lo dessa vida. Quero dar uma vida boa para a minha família”, prometeu o lateral-esquerdo.
Já que o pai não quer parar de trabalhar, a ideia do menino é presenteá-lo com um taxi. “Seria bom ficar no ar-condicionado, sair desse estresse que a gente passa dentro do ônibus e trabalhar por conta própria”, sonha Rogério, que recebe da Braso Lisboa um salário de R$ 1.500. “Quem sabe posso até ser motorista do Renan?”, brincou o pai.
Morador da Abolição, Zona Norte do Rio, Rogério era torcedor do Flamengo, mas, desde que seu menino ingressou no Botafogo, virou casaca. “O amor pelo meu filho é maior. Quando tem o duelo dos dois times, eu torço para o Botafogo”, garantiu Rogério, sem esconder a aflição pela estreia de Renan no profissional, e até sonhando com um gol.
“Estou muito ansioso. Não sei se vou aguentar o gol. Só quem viu sabe... Quantas vezes nós deixamos de sair para acompanhá-lo no futebol. Mas eu digo que vai chegar a hora dele porque está tudo acontecendo naturalmente”, apostou.
Renan começou a jogar aos 6 anos no Diamante, da Abolição, no salão, e chegou ao Botafogo em 2004. Fã do futebol de Roberto Carlos, se diz um jogador que apoia bem e faz boa leitura do jogo. “Sei quando tem que cadenciar ou acelerar. Já falaram que eu pareço com o Athirson (ex-Flamengo)”.

Fonte: Marca Brasil 

Nenhum comentário:

Postar um comentário