O lateral-direito Alessandro convocou uma coletiva de imprensa nesta terça-feira para explicar sua saída do Botafogo. O jogador se disse chateado e surpreso com a postura da diretoria alvinegra em não renovar seu contrato. O defensor, que disputou 241 jogos pelo clube, chegou a assinar um termo de compromisso para a renovação do vínculo, e estava certo de que permaneceria no clube para a próxima temporada.
Alessandro explicou que o gerente de futebol Anderson Barros o procurou para renovar o contrato até o fim de 2013. Com a assinatura do termo, o novo contrato precisava apenas da assinatura do presidente do clube, Mauricio Assumpção, para ser sacramentado. Nesta segunda-feira, porém, o jogador e seu empresário, Frederico Moraes, reuniram-se com a diretoria, e Alessandro foi comunicado de que não seguiria no clube.
- Isso me pegou de surpresa, todos sabem da minha importância, mas infelizmente não permanecerei. Não tem nada a ver com desgaste de torcida, até porque isso nunca foi problema. Fico meio chateado, acho que não precisava passar por isso, a diretoria não foi correta comigo. Faltou conversa, até por eu ser um líder ali dentro. Botei a cara para defender o grupo, e não me arrependo - disse.
Por causa de cobranças da torcida, o lateral-direito revelou que chegou a pensar em deixar o Botafogo. No mês de abril, Alessandro foi o alvo favorito do protesto de torcedores alvinegros, que foram ao Aeroporto Santos Dumont após a eliminação do time da Copa do Brasil. Apesar disso, o jogador tencionava encerrar sua carreira com a camisa botafoguense:
- Após o episódio do aeroporto, cheguei a falar que seria meu último ano no Botafogo. Mas tudo foi mudando, o vento soprou a meu favor. Começamos bem o Brasileiro, houve chance de renovação e fiquei feliz. Cheguei a pensar em encerrar a carreira mesmo no Botafogo, nestes últimos dois anos. Pode não ser meu último clube. Mas vai ser difícil ter outro jogador com a mesma personalidade que a minha ali dentro.
Alessandro também agradeceu à torcida do Botafogo, e afirmou que se considera satisfeito após sua saída do clube, mesmo tendo conquistado apenas um Carioca pelo clube, em 2010, e a Copa Peregrino, em 2008:
- Não tenho mágoa da torcida, seria injusto. Agradeço aos que me aplaudiram e me vaiaram. Continuarei torcendo pelo clube. Saio feliz, porque meu nome está na História. Quando cheguei, disse que queria ser campeão. Não consegui um título de maior expressão, mas não saio tão derrotado quanto pensavam. Dei a volta por cima.
Confira alguns trechos da entrevista coletiva de Alessandro:
Motivo da saída
Só a diretoria poderia responder. Até agora, fico pensando o porquê de não ter permanencido. Se havia alguma oposição, ou se tinha alguém dificultando minha permanência. Acho que só o presidente poderia responder. Mas vou levantar a cabeça. Ficaria mais feliz se não me chamassem para renovar, eu poderia seguir minha vida. Já estava entrando de férias.
Decisão pode ter sido de Oswaldo de Oliveira?
- Não tem dedo do Oswaldo, porque meu empresário tem uma boa relação com ele. Eles conversaram, e ele disse que confiava em mim, e contava comigo. Até porque, se esse fosse o problema, alguém me diria. Mas não teve nada disso. Ele gostou da minha postura na última semana do Brasileiro, em uma entrevista que dei, chamando a responsabilidade. É uma decisão mais da diretoria do que do técnico.
Clima no elenco
Nunca houve problema no grupo. É excelente. Todos sabiam cobrar um do outro, é um elenco fantástico. Se permanecesse para 2012, seria mais forte ainda. Ficamos trinta jogos brigando, e nos últimos caímos. Será que de lá para cá nignuém presta mais?
Futuro
Ainda não sei do meu futuro. A partir de hoje, todo mundo pode falar com meu empresário. Tenho algumas propostas, sim. Graças a Deus, as portas estão abertas em outros clubes do Brasil. Com certeza, vocês ainda vão me ver visitar o Engenhão novamente (risos).
Queda no fim do Brasileiro
Erramos quando não podíamos mais. Miramos o título, criamos as possibilidades de liderança, mas não ia acontecendo. Faltou concentração no momento certo, porque a Libertadores também era um objetivo. Quando perdemos o título, a rapaziada acabou dando uma relaxada e perdemos até isso. Procurei me entregar ao máximo, falar com todos. Vimos que alguns deram aquela desanimada quando não podíamos mais ser campeões. Faltou ânimo.
Aprendizado
Levo muita coisa positiva. O Botafogo me fez crescer como jogador e ser humano. Ninguém queria me ver passando o que passei. Mas superei muita coisa. Do lado negativo, lembro de quando havia entrega da minha parte, e alguns torcedores me vaiavam. Isso me chateava, mas me acstumei. Para jogar no Botafogo, é preciso ter personalidade, e isso nunca deixei de ter.
Fonte: Lancenet!
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