Espantado, eu não fico. Já vi Osvaldo de Oliveira deixar o Vasco na véspera de uma decisão de Mercosul e a uma partida da final do Brasileirão-2000. Ceifar cabeça de treinador para dar satisfação à torcida e chacoalhar grupo de jogadores é decisão velha e surrada na obviedade que cerca a cartolagem do futebol. Mas, se olharmos com frieza a demissão de Caio Junior, ela até que traz alguns contornos de bom senso.
Eu não demitiria Caio Junior a três rodadas do fim do Brasileirão. O Botafogo caiu de produção, mas ainda tem chances de chegar à Libertadores. O problema é que, no fundo, os dirigentes alvinegros não acreditavam mais na recuperação do trabalho do treinador. E o próprio Caio não suportava mais a pressão inclemente dos torcedores. No meio do caos, os jogadores não tinham mais força para reação. Trocar o comandante é a tentativa de impor um choque de ordem no vestiário. Última e derradeira cartada.
No voo de volta de Belo Horizonte, conversei com Caio Junior. Reverenciou seu (bom) trabalho, confessou não saber mais o que fazer e que não tinha mais forças para aguentar toda a carga das derrotas seguidas sobre suas costas. Delicado e cuidadoso, não atacou a boleirada. Mas a sequência de troca de jogadores e esquemas táticos era uma medida desesperada em busca de uma fórmula milagrosa que levasse o trem alvinegro aos trilhos. Tudo se perdeu. Nada foi recuperado. E, como sempre, sobrou para o treinador.
Fica a dúvida: um interino conseguirá recuperar o grupo em apenas três dias para vencer um embalado Internacional? Tenho sérias dúvidas. E a outra dúvida: esse mesmo interino terá a vara de condão encantada para trazer o futebol de Elkeson, Cortês e outros menos votados de volta? Caio Junior perdeu o emprego. Mas, só não vê quem não quer: a culpa não era só dele.
Fonte: Coluna do Lédio Carmona - Extra
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