terça-feira, 15 de novembro de 2011
Caio Junior carrega estigma e luta contra o 'trauma de Libertadores'
Um problema parece recorrente na vida de Caio Junior. Todas as vezes em que vê a Copa Libertadores ao alcance das mãos, o treinador sofre com uma síndrome que insiste em rondar a carreira. Este ano, pelo Botafogo, mais uma vez uma dúvida paira no ar em relação ao trabalho do comandante.
Por conta de campanhas traumáticas por Palmeiras e Flamengo, Caio Junior passou a ser visto como um ponto de interrogação. Afinal, o que esperar do Botafogo nesta reta final? O que tirar de lição em relação aos erros do passado? Alguns aspectos podem explicar o momento de reflexão que vive o time, no limite para conseguir algo que parece fugir de Caio Junior.
Sucessivas mudanças de jogadores, insistência num determinado sistema tático, jogar de um jeito em casa e outro, fora, estão no pacote que expõe o trabalho do treinador a ser alvo de críticas constantes em momentos cruciais.
- No Brasil, algumas coisas são os treinadores que pagam. Se o Vasco perdesse o jogo com quatro volantes, a culpa recairia sobre o treinador. É o preço que se paga pelas mudanças - disse ele.
Em 2006, quando levou o Paraná ao torneio continental, Caio Junior, involuntariamente, gerou uma grande expectativa no mercado interno. O Palmeiras foi o primeiro a acreditar no discurso prático de modernidades táticas, novas maneiras de enxergar o futebol e levou o treinador no ano seguinte. Mais um ano e foi a vez de o Flamengo perder a classificação.
Caio Junior não sabia, mas o destino parecia conspirar contra ele. Foram dois anos de pura pressão para levar gigantes ao torneio. Palmeiras e Flamengo deram mais visibilidade, porém perdas das vagas à Libertadores nas últimas rodadas acabaram marcando negativamente o currículo do treinador.
Manifestações públicas ao trabalho
Uma das maiores queixas de Caio Junior em relação aos trabalhos anteriores era o fato de não se sentir respaldado pelos clubes. Um apoio que o treinador garantia não faltar no Botafogo. No entanto, algumas críticas vieram à tona depois de algumas situações vividas pelo time no campeonato.
Depois de assistir a um time apático na derrota por 2 a 0 para o Atlético-GO, em Goiânia, o presidente Mauricio Assumpção declarou que a equipe não havia aprendido a jogar fora de casa. As palavras soaram fortes, ocasionando uma reunião entre a cúpula do clube, comissão técnica e todos os jogadores.
O assunto não gerou maiores proporções em General Severiano, mas ficou claro o recado indireto ao trabalho do treinador, que passou a sentir uma pressão mais forte por resultados. O título ficou distante. A Libertadores, agora, é o maior objetivo e uma obsessão para o traumatizado Caio Junior.
Caio Junior e seus times pela Liberta
Paraná em 2006 - 5º lugar com 60 pontos - Última vaga na Libertadores
Começou bem o campeonato, pulando do décimo para o quinto lugar na 13ª rodada, em uma sequência de seis vitórias e um empate. Depois disso, não houve uma grande arrancada, mas o bom início foi fundamental para o time se manter na parte de cima da tabela e conquistar uma vaga inédita para o clube no torneio continental.
Palmeiras em 2007 - 7º lugar com 58 pontos - Sem vaga na Libertadores
A equipe chegou ao quarto lugar a cinco rodadas do fim. Mas uma sequência de quatro derrotas e um empate na reta decisiva tirou o Verdão da disputa do torneio continental. O melhor momento foi entre a 24ª e 33ª rodada, no qual o time conquistou cinco vitórias, três empates e uma derrota. Na última rodada, houve derrota para o Atlético-MG em casa.
Flamengo em 2008 - 5º lugar com 64 pontos - Sem vaga na Libertadores
O Fla teve ótimo início de campeonato, com oito vitórias, dois empates e duas derrotas. Liderou até a 13ª rodada. Depois, o time teve altos e baixos, mas sempre se mantendo na parte de cima da tabela. A quatro rodadas do fim, o Fla chegou a ocupar a terceira posição, no entanto perdeu nas três últimas partidas e deixou a vaga na Libertadores para o Palmeiras.
Botafogo em 2011 - 5º lugar com 55 pontos - Acabaria com a última vaga na Libertadores
Depois de fase irregular, o Botafogo chegou ao grupo de classificação para a Libertadores na 16ª rodada, não saindo mais até hoje. Só que dava para ser melhor. O clube já perdeu três chances de ser líder, mesmo que temporariamente, e vive da gordurinha conseguida no mês de agosto, quando venceu seis jogos e perdeu apenas dois - ambos fora.
Com a palavra
Guilherme Cardoso
Repórter do L!, responsável pelo noticiário do Palmeiras em 2007
Grande problema foi a instabilidade do time
"Caio Junior fez um grande trabalho no Palmeiras, mas a vaga na Libertadores não foi alcançada e ele ficou marcado por esse fracasso. O grande problema foi a instabilidade do time. Nas últimas cinco rodadas, apenas uma vitória. E lesões foram raridade. A grande perda foi o meia Valdivia. O chileno ficou fora das últimas três partidas. Lógico que ele fez falta, mas não foi crucial para a queda de desempenho na reta final.
Muitos jogadores também não renderam o esperado, como o meia Caio e o volante Martinez. O sofrimento só foi amenizado pelo rebaixamento do Corinthians."
Fonte: Lancenet!
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