segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Blog analisa parte tática sem surpresas: 'Caio Júnior tem muito a refletir'

Júnior se mostrou aparentemente surpreso com a forrmação vascaína – com Diego Souza no ataque, Allan de titular e Juninho Pernambucano, Bernardo, Alecsandro e Elton no banco – e disse que Cristóvão Borges provavelmente guardava uma estratégia para surpreender no segundo tempo. O jogo, porém, mostrou que o plano do auxiliar de Ricardo Gomes, em seu primeiro clássico regional após ser efetivado como treinador, não trazia nenhuma grande novidade. Além da escalação ser bastante semelhante à da vitória por 2 a 0 sobre o Bahia em Pituaçu há três rodadas, com Renato Silva no lugar de Douglas e Fellipe Bastos na vaga de Eduardo Costa, o plano de jogo era a rotineira: marcação forte comandada por Dedé, Felipe organizando o jogo e muita velocidade pela direita, com Fágner, Éder Luís e o auxílio de Allan.
O Botafogo até foi melhor no início do jogo. No 4-2-3-1 habitual com o retorno de Herrera, o time de Caio Júnior teve ímpeto e forçou o jogo pela direita, com Lucas apoiando e Elkeson e Renato aparecendo para as tabelas. Mas depois que os cruzmaltinos encaixaram a marcação, os contragolpes em sequência foram minando as forças alvinegras.
Com a bola, o Vasco se organizava num simples 4-3-1-2. Na recomposição, algumas mudanças: Éder Luís voltava acompanhando Marcelo Mattos, Felipe seguia Renato, Allan e Fellipe Bastos batiam com Cortês e Lucas, Rômulo colava em Elkeson e Jumar vigiava Herrera. Diego Souza ficava sozinho à frente. Bola roubada, Éder Luís abria à direita e fazia um trio com Allan e Fágner para cima de Cortês e a cobertura de Mattos. Maicosuel não voltava.
Pela direita saiu a jogada do gol de Fellipe Bastos, a incrível chance perdida por Diego Souza completando por cima passe de Fágner e também nasceu o contra-ataque, em bola perdida por Cortês, que terminou com o pênalti de Jefferson em Diego Souza que o camisa dez desperdiçou em cobrança displicente. Um passeio na primeira etapa, mesmo com desvantagem na posse de bola: apenas 44%.



O 4-3-1-2 vascaíno foi forte pela direita no ataque e encaixou a marcação sobre o 4-2-3-1 do Bota na recomposição: Éder Luís voltava com Mattos, Felipe seguia Renato, Allan e Fellipe Bastos pegavam os laterais Cortês e Lucas.


Após o intervalo, Caio Júnior tentou corrigir a marcação pela esquerda posicionando Renato mais plantado e liberando Bruno Tiago, substituto do lesionado Marcelo Mattos, para o apoio do lado oposto. Também trocou o posicionamento de Maicosuel e Elkeson, que passou a voltar mais pela esquerda para auxiliar na marcação. Na frente, Herrera ganhou liberdade para se aproximar de Loco Abreu.
Mas o Vasco seguiu absoluto. A impressão era de que o Botafogo é que tinha se desgastado no meio da semana. Na língua dos boleiros, o time “corria errado”. Já o adversário, organizado e motivado pela temporada fantástica, voava. E quase marcou no início em conclusão de Éder Luís, em nova jogada pela direita. O atacante atuou mais fixo na ponta, voltando junto com Cortês. Allan passou a marcar Renato.
Jefferson salvou sua equipe tirando em cima da linha conclusão de Renato Silva após cobrança de falta de Fellipe Bastos pela esquerda. Mas não pôde conter o estupendo Dedé, que iniciou a jogada com desarme na intermediária, acionou Fellipe Bastos e correu para receber na área o centro e marcar seu terceiro gol em quatro dias. O zagueiro vascaíno é hoje o melhor jogador em atividade no país depois de Neymar.
Mesmo com a (discutível) expulsão de Rômulo, o Vasco administrou o resultado com inteligência e pragmatismo. E Cristóvão nem precisou usar os atacantes que ficaram na reserva. Sua equipe foi eficiente e podia ter goleado, mesmo com apenas um avante de ofício. Como já fizera em outras partidas.



Na segunda etapa, Caio Júnior plantou Renato com a saída de Mattos para a entrada de Bruno Tiago e inverteu Elkeson e Maicosuel para melhorar o combate pela esquerda; Vasco apenas trocou a marcação de Allan e Éder Luís e manteve o domínio, consolidado com o gol de Dedé.



Caio Júnior tem muito a refletir. Principalmente sobre os motivos que levam seus times brigarem no topo da tabela do Brasileirão e caírem vertiginosamente na reta final – foi assim com o Palmeiras em 2007 e no ano seguinte com o Flamengo. Com nova derrota em seu estádio, Botafogo deve lutar apenas por uma vaga no G-5.
O Vasco continua em sua saga já histórica em busca de taças e do 2011 perfeito. Sem planos mirabolantes, mas com fibra, disciplina tática e bom futebol.

Fonte: Blog Olho Tático - Globoesporte.com 


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