Quando assume a responsabilidade de promover uma Copa do Mundo em qualquer país, a Fifa costuma mandar alguns representantes para observar o funcionamento dos estádios nas sedes escolhidas. No caso do Rio, o Maracanã será o grande palco, com direito a sediar a final da competição. Mas um outro estádio chamou a atenção, não só da entidade como também do Comitê Organizador Local (COL): o Engenhão. Administrado de forma moderna e profissional pelo Botafogo, transformou-se em estádio teste para o bom funcionamento das arenas escolhidas para receber os jogos.
Os pontos que estão sendo acompanhados de perto pelo COL são o funcionamento das bilheterias, as catracas para passagem dos torcedores, a segurança,, o trabalho de voluntários para informar a localização do lugar e ajudar na orientação das pessoas, área de alimentação, uso das cadeiras numeradas e distribuição de câmeras. E ainda a colaboração dos poderes públicos (Estado e Prefeitura), na orientação do trânsito e no serviço de transportes.
Como o Engenhão é uma concessão da prefeitura ao clube, que o alugou por 20 anos, com prioridade para seu uso por mais 20, todo o complexo do estádio é gerido de forma profissional, com muitas parcerias privadas. O Engenhão é considerado um bom exemplo da parceria público-privada que poderá dar certo no funcionamento dos estádios durante a Copa do Mundo de 2014.
O caso da alimentação é um bom exemplo. Segundo Sérgio Landau, diretor-executivo do Botafogo, o clube contratou a empresa Pepira, que tem know-how em gestão de shopping centers, e que trouxe para o estádio conceitos de serviços e alimentação.
Quem frequenta o Engenhão tem uma variedade de opções de serviços de alimentação. Além disso, o estádio dispõe de um esquema especial de atenção para atender ao uso de camarotes.
Já visando à Copa, foram feitos testes com a utilização de pessoas (no caso da Fifa, são chamados de voluntários) para informar a localização do lugar correto de cada pessoa e passar informações sobre o estádio. Em 2012, o clube vai ser mais rigoroso no uso das cadeiras numeradas, exatamente para atender a um pedido do COL.
O Botafogo dispõe também de um serviço de câmeras de segurança em todas as partes do estádio. Um esquema bastante semelhante deverá ser usado em todos os estádios que vão receber jogos da Copa do Mundo.
O atendimento nas bilheterias do Engenhão é feito por uma empresa privada. Mas, em cada uma delas, o Botafogo tem um funcionário seu observando toda a movimentação. Trata-se de uma medida preventiva.
- É para tentar evitar a ação do cambista. É verdade que o problema ainda existe, mas estamos tentando localizar para acabar de vez com essa praga. Esta é uma de nossas armas - explica Sérgio Landau,
O funcionamento das catracas eletrônicas tem sido acompanhado atentamente pelos organizadores da Copa. No Engenhão existem 100 catracas para receber os cartões eletrônicos, todas elas funcionando com um profissional devidamente identificado, por um colete cor abóbora e com o nome escrito no bolso da camisa. Tudo para evitar os ingressos falsos e solucionar algum problema que possa acontecer na hora.
Outra parte que está sendo observada é uma na qual o Botafogo ainda não conseguiu resolver totalmente, mas que, garante, está no caminho: a questão elétrica. Por exigência da Fifa, todo estádio precisa ter dois sistemas de eletricidade funcionando perfeitamente, para o caso de um apagão ou por uma falha operacional num deles.
- Estamos investindo muito nisso. Temos problemas, mas acredito que em 2012 vamos estar com os equipamentos em perfeitas condições - afirmou o dirigente do Botafogo.
A questão do entorno do estádio passa pela ajuda do governo estadual e da Prefeitura. O Botafogo entende que há um grande empenho do poder público para ajudar na questão do transporte, o que facilitaria a chegada e a saída do torcedor.
- Obras estão sendo feitas para melhorar o acesso ao Engenhão. Nada poderia funcionar no nosso entorno sem um bom serviço de policiamento e guardas para orientar o trânsito. Ainda temos muitos problemas, mas as coisas estão caminhando. Acho que poderia haver uma quantidade maior de trens, e incrementar o funcionamento do metrô. Aí ficaria perfeito. Isso foi feito no show do Paul McCartney. Uma prova de que é possível fazer o mesmo nos jogos de futebol. Nós estamos fazendo a nossa parte e ajudando na organização da Copa do Mundo - acrescenta Sérgio Landau.
Fonte: Extra
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